Como chegamos aqui

Olá, nós somos o aHorta Bike Café! Aqui nessas linhas vamos tentar resumir nossa história e lhes falar um pouco sobre o nosso espaço.

Hoje a principal atividade exercida no nosso espaço é uma cafeteria, mas aqui também temos um estacionamento de bicicletas e um espaço onde damos apoio para cicloviajantes. No andar de cima temos uma sala para atividades em grupo, como aulas de Yoga, Dança do Ventre, Tango, Tai Chi Chuan e palestras.

Na horta comunitária contamos com a ajuda dos amigos e vizinhos que trabalham de forma livre e compartilhada. Você também está convidado para colher e participar do projeto.

Mas como chegamos até aqui?

Tudo começou no início de 2015, com o Leônidas e o Guilherme.

O Gui é psicólogo. Junto com sua família, sempre dedicou-se aos trabalhos voltados para o autoconhecimento e o relacionamento entre as pessoas. Um dia ele quis fazer uma horta comunitária no bairro para trabalhar junto com os amigos e conhecer os vizinhos.

O Léo trabalhava na área de informática e estava cansado do trabalho repetitivo de escritório. Há alguns anos redescobriu o prazer de andar de bicicleta, quando fez algumas viagens e participou de corridas de longa distância. A bicicleta foi um meio importante de reequilíbrio, numa fase difícil da vida. Como resultado veio a vontade de mudar de profissão e abrir um negócio voltado para o público ciclista.

Aula de yoga na sala de atividades em grupo

Nós somos amigos de infância e sempre nos reuníamos para tomar o cafezão da tarde com nossos amigos. Durante esses encontros começamos a sonhar com um espaço que seria apenas uma horta comunitária e uma oficina para consertos de bicicletas. Como o sonho não tem limites, fomos aumentando nossas ideias e pensamos em colocar um pequeno balcão para servir um café caseiro para quem viesse conhecer o espaço. Combinamos que nesse espaço não venderíamos comidas com carne e bebida alcoólica.

Café com os amigos

Colocando sonhos no papel

A família do Léo tinha um terreno no bairro com duas casas muito antigas desocupadas. Pensamos em usar essas casas para fazer o espaço, mas logo vimos que isso seria inviável, pelo péssimo estado de conservação. Assim decidimos fazer uma nova construção e, talvez, aproveitar as madeiras velhas das casas em alguma parte da obra. Como a proposta era reciclar materiais, pensamos que seria interessante construir com containers marítimos descartados. Fomos visitar várias construções na cidade que utilizam esse material e, vendo que a obra seria viável, decidimos usá-los. Nesse tempo já tínhamos demolido as casas e começamos a reunir os amigos para fazer os canteiros da horta comunitária.

Mutirões com os amigos no início da horta comunitária

Os sonhos foram evoluindo. Nossas irmãs Mônica e Fernanda, da Locus Arquitetura, acreditaram na proposta e decidiram nos ajudar. Elas fizeram o projeto arquitetônico e cuidaram de toda a parte burocrática para aprovação da obra. Nesse tempo também tivemos o incentivo e apoio do Maurício, do Café do Mercado. Ele nos mostrou que a ideia do café poderia ser mais do que imaginávamos e também ser viável como um negócio, não apenas como um detalhe no projeto.

Construção

Depois de muitas reuniões, cafés da tarde, visitas (e algumas enxadadas na horta) o projeto da área construída estava definido. No espaço colaborativo teríamos uma oficina de bicicletas, um café (com balcão de atendimento e cozinha), uma sala para atividades em grupo, um escritório / consultório para o Guilherme, um quarto para hospedar e dar apoio para cicloviajantes e também faríamos um pequeno apartamento onde o Léo iria morar.

A obra começou nos primeiros meses de 2016. A parte de alvenaria ficou a cargo de uma equipe de empreiteiros, enquanto a parte metálica e dos containers foi executada pelo Léo e pelo Gui com a ajuda dos amigos. Também contamos com o auxílio de um soldador profissional, o Thiago, que também acabou virando um grande amigo.

O que vocês tão fazendo aí?

Vários meses de trabalho se passaram e não tínhamos nem o nome do lugar definido. Como nossos amigos chamavam de ‘a horta’ mesmo sendo ‘a obra’, decidimos começar a chamar esse espaço também de ‘a horta’.

a Obra

Nessa época ouvimos algumas críticas (a maioria com razão), pois não sabíamos exatamente o que estávamos fazendo. Não fizemos plano de negócio e nem pesquisas de mercado. Talvez essa ignorância nos fez acreditar que era possível abrir um negócio inovador, mesmo sem experiência, e com o país atravessando um período de crise. Fomos adiante, levando a obra com energia e na raça. Praticamente um ano depois, no começo de 2017, ainda não estávamos com a obra terminada.

Como não tínhamos mais recursos para comprar materiais de construção, a opção foi abrir o café, mesmo sem estar com tudo pronto.

Mutirão de pintura com os amigos

Início do café

Assim, no dia 01 de fevereiro de 2017 inauguramos o aHorta com a presença de uns 10 amigos e familiares.

Naquelas primeiras semanas não imaginávamos que tantas pessoas viriam conhecer o espaço e dariam um retorno tão positivo. Não tínhamos xícaras suficientes e nem mesmo um cardápio definido.

Kiko Empreiteiro e Locus Arquitetura

Imaginávamos um espaço colaborativo e informal, com os amigos trabalhando juntos e sem muito horário. Logo nas primeiras semanas essa proposta se mostrou um pouco infundada e, já no começo, tivemos que deixar de lado alguns de nossos sonhos romantizados e entendemos que deveríamos enxergar o café como uma empresa.

Começamos a definir processos e funções e a administrar tudo como um negócio formal. Nesse período a ajuda da nossa Chef Rossana Ceres foi fundamental. Ela já tinha uma grande experiência em cozinha vegetariana e nos ajudou a definir o cardápio e a organizar os processos da cozinha. Com o tempo a Rô foi se integrando e hoje ela é peça fundamental na engrenagem da empresa. Outras pessoas também se juntaram a equipe e se mostraram grandes amigos e colaboradores. Hoje contamos com mais de 10 pessoas trabalhando na empresa.

E agora?

Depois de quase 2 anos da abertura oficial do espaço, percebemos que mudamos algumas coisas no projeto inicial, mas também vemos que a ideia de ter um lugar de encontros acabou se concretizando.

Em agosto de 2018 fomos indicados para participar do Prêmio Bom Gourmet, promovido pelo jornal Gazeta do Povo. Nunca quisemos impressionar ninguém com o nosso projeto, mas é gratificante ser reconhecido e estar entre os melhores de Curitiba. A ideia inicial era apenas ter uma horta e uma oficina, depois veio o espaço do café, onde queríamos apenas tomar um café despretensioso com nossos amigos. Hoje estamos sendo indicados na categoria das cafeterias com os melhores ambientes da cidade. Tudo isso é muito louco, pois não queríamos ter uma cafeteria, muito menos ser o melhor em alguma coisa. Com certeza estamos aqui pela ajuda e energia positiva dos nossos amigos, familiares, funcionários e clientes.

Lá atrás a escolha ‘dos conteiners’ foi muito importante para dar início ao nosso projeto. Mas entendemos que isso é apenas a casca de uma coisa maior. A forma da obra é um detalhe dentre muitos outros. O espaço pode ser feito de tijolo, madeira, ferro… A energia e a alma de um lugar são forjadas pela dedicação e entrega das pessoas que lá trabalham, cada um em busca de seu sonho individual, porém colaborando com a evolução do coletivo.

Desde a abertura do espaço fomos adequando nossos sonhos conforme a realidade do mercado e, pensando no futuro, entendemos que nosso objetivo não é ter o melhor café. Queremos continuar a ter um lugar agradável para receber os amigos, proporcionando encontros, gerando empregos, pagando impostos e movimentando a economia do bairro e da cidade de forma saudável, sustentável e com valores sólidos.

 

Seja bem vindo ao aHorta Bike Café!

Que bom que você veio!

Entre, é assim mesmo.